- Setembro 12, 2025
Jurídico: Registo de domínios deve estar associado à empresa que detém a marca ou pode haver um problema
Pode parecer um detalhe técnico, mas na prática é um erro comum que já custou reputação, clientes e milhares de euros a várias empresas: o domínio do site não está em nome da entidade que detém a marca.
É surpreendente a frequência com que domínios digitais (como o .pt ou .com de uma empresa) são registados por freelancers, agências criativas ou até por um sócio específico. À primeira vista, parece uma questão administrativa inofensiva. Mas quando surgem disputas internas, mudanças de fornecedor ou esquecimentos na renovação… o problema torna-se grave.
Riscos reais
- Disputas entre sócios: o domínio fica associado a uma pessoa física ou entidade errada, dificultando a sua recuperação legal.
- Fornecedores que desaparecem: freelancers ou agências deixam de existir, ficam incontactáveis, ou exigem valores abusivos para transferir o domínio.
- Perda do domínio: ao esquecer a renovação, o domínio expira e pode ser comprado por concorrentes ou especuladores (cybersquatters).
- Perda de confiança e SEO: mudar de domínio afeta a posição no Google, quebra links externos e confunde os clientes habituais.
Boas práticas para proteger a sua marca digital
- Registar o domínio sempre em nome da empresa proprietária da marca (e não de pessoas físicas ou parceiros externos).
- Garantir o controlo administrativo e técnico: o contacto principal deve ser um e-mail corporativo da empresa (ex: marketing@nomedaempresa.pt).
- Registar várias extensões relevantes (.pt, .com, .eu, .net), especialmente em mercados onde pretende atuar.
- Proteger contra cybersquatting: compre domínios semelhantes, erros comuns de digitação ou variações da marca.
- Centralizar a gestão de domínios: use um gestor de domínios corporativo (como GoDaddy, Cloudflare, ou outro registo oficial) com acesso documentado e monitorização ativa de renovações.
- Documentar tudo: mantenha os dados de registo, acessos e datas de renovação num local seguro e acessível à gestão da empresa.
Exemplo real
Uma PME portuguesa operava com sucesso no setor alimentar. O domínio “.com” da marca foi registado por um freelancer, que deixou de colaborar com a empresa. Quando o domínio expirou, uma empresa chinesa comprou-o para redirecionar tráfego para produtos concorrentes. A empresa portuguesa teve de mudar de domínio, perdeu milhares de visitas mensais, caiu nos motores de busca e viu a reputação digital abalada. Uma falha técnica tornou-se um prejuízo estratégico.
Dica
Trate o domínio como um ativo valioso, tão importante como o logótipo, o nome da marca ou o registo legal. Garanta que a sua posse está documentada, centralizada e sob controlo direto da empresa. É mais do que um endereço: é a porta de entrada digital do seu negócio.


